Campeonato nacional - Década de 40 - A Era dos cinco violinos
Esta foi a década dourada do Sporting, em 10 anos venceu metade dos títulos. Quem contribuiu decisivamente para esta fase de júbilo leonino foram os “cinco violinos”, uma expressão utilizada por Tavares da Silva, jornalista, treinador e até árbitro, que foi esta a forma que encontrou para descrever a arte e harmonia dos cinco homens da frente do Sporting. Peyroteo, Vasques, Albano, Jesus Correia e Travassos formavam este quinteto que marcou uma época, em três anos (1946-49) foram outras tantas vezes campeões. Ainda hoje são uma referência, não só do Sporting, mas também do futebol nacional, eles que marcaram mais de 100 golos individualmente e 1000 colectivamente. A capacidade goleadora era tal que, ainda hoje, detêm a melhor média de golos marcados por jogo no campeonato, com uns impressionantes 4.7 alcançados em 1947, onde facturaram 123 golos em 26 jogos!
No que respeita a clubes o Sporting foi o grande vencedor dos anos quarenta, vencendo cinco vezes contra os três do Benfica e um de FC Porto e Belenenses. No final da década o Benfica liderava com seis títulos, contra cinco do Sporting, três do FC Porto e um do Belenenses. A maior competição de futebol no país virava a sul, mais precisamente a Lisboa, dado que se torna mais elucidativo nas segundas posições obtidas, onde o FC Porto apenas se classificou por uma vez nestes dez anos. O Benfica e o Sporting ocuparam as duas primeiras posições, nestes dez anos, por oito vezes a equipa da Luz e por nove a equipa de Alvalade, a maior potência da década. O título mais discutido foi o de 1948, no qual os leões foram campeões apesar da igualdade pontual com as águias. Um campeonato que muito deve ter custado aos encarnados, que a cinco jornadas do fim tinham dois pontos de avanço sobre os verde-e-brancos, numa altura em que os recebiam. Para ainda dar maior dramatismo à situação, o Benfica tinha vencido no campo do rival por 3-1, o que lhe permitiria empatar acrescentando vantagem no confronto directo. Mas o Sporting não esmoreceu e foi ganhar ao Campo Grande, recinto do Benfica, por 4-1 com um “poker” de Peyroteo. Para culminar, os leões na antepenúltima jornada perderam em Setúbal com o Vitória local, mas os encarnados imitaram-nos com uma derrota caseira frente ao Elvas por 1-2! Nas duas últimas jornadas ambas as equipas venceram mantendo a igualdade pontual, só que com vantagem do Sporting. Uma vitória do português Cândido de Oliveira sobre o húngaro Herczka.
Uma vitória portuguesa que não retirou o domínio húngaro no campo técnico. Dos dez campeonatos disputados os magiares venceram seis, tendo triunfado nos 11 primeiros títulos organizados. O primeiro técnico não magiar a vencer a prova foi Augusto Silva em 1946 com o Belenenses. Um duplo feito pois, além de se tornar o primeiro técnico português a vencer a liga, também foi o primeiro técnico a vencer um campeonato com um clube fora “dos três grandes”. Seguiu-se o inglês Robert Kelly e o jornalista-treinador Cândido de Oliveira, que triunfou nos dois últimos anos da década. A hegemonia húngara no comando técnico começava a esfumar-se, se bem que Biri e Herczka ainda foram vice-campeões em 1947 e 1948. No final da década Szabo e Biri lideravam a lista de treinadores com mais campeonatos ganhos, seguidos de perto por Cândido de Olveira com dois.
No que se refere a melhores marcadores a década foi de Peyroteo, que conseguiu por cinco vezes ganhar a Bola de Prata, tendo chegado aos 43 golos em 26 partidas no ano de 1947, um recorde que se manteve até aos anos 70. Com a Bola de Prata alcançada nos anos 30, o jogador sportinguista elevou para seis o número de troféus. Apesar do domínio claro, Peyroteo não foi o único a alcançar este troféu nos anos 40, também Francisco Rodrigues do Vitória de Setúbal, por duas vezes (1944 e 1945), Kordnja do FC Porto, que dividiu a distinção com o avançado leonino em 1940, Correia Dias e Araújo, também do FC Porto que venceram em 1942 e 1948, e Julinho do Benfica que triunfou em 1943.
Pedro Santos Pereira
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