Campeonato nacional - Década de 30 - A Era húngara
Em 1934-35 disputou-se a primeira competição nacional disputada num sistema de todos contra todos a duas voltas. Foi o arranque do campeonato nacional, na altura designado de I Liga, uma prova que começou com oito equipas. Até ao final da temporada de 1938-39 não houve um domínio absoluto, sendo este repartido entre Benfica e FC Porto, em que as águias venceram três títulos e os dragões dois, sendo que os portistas foram ainda por duas vezes vice-campeões. A época de 1937-38 foi a mais renhida, com Benfica e FC Porto em igualdade pontual até à última jornada, tendo esta temporada sido resolvida na antepenúltima partida, quando os dragões receberam as águias e empataram a dois golos, permitindo ao Benfica manter-se em igualdade pontual o que lhe viria a dar o troféu. Um encontro onde o FC Porto esteve sempre a vencer, por 1-0 e 2-1, mas não conseguiu manter a vantagem, sendo Valadas o autor do golo que acabaria por abrir as portas do título no Estádio do Lima.
A primeira equipa a ser campeã nacional foi o FC Porto, que venceu a primeira edição da prova com Jozséf Szabo no comando. Um treinador húngaro que fez história nos primórdios da nossa liga, tendo ainda nessa década conquistado a segunda posição com o Sporting em 1939. Os húngaros eram uma das melhores escolas de treinadores, sendo o seu contributo para o futebol determinante, não só cá mas um pouco por toda a Europa. Não é por isso de estranhar que nesta década todos os técnicos campeões fossem magiares, do já falado Szabo até Herczka, que foi tricampeão pelo Benfica, passando por Siska, que fechou a década de 30 campeão pelo FC Porto. De 1935 a 1939 as equipas que ficaram na primeira ou segunda posição foram sempre lideradas por húngaros, com excepção do Sporting de 1935, que ficou em segundo com o português Filipe dos Santos no leme, e o Belenenses de Artur José Pereira, que foi vice-campeão em 1937.
Foram melhores marcadores da competição Soeiro do Sporting em 1935 e 1937, com 14 e 24 golos respectivamente. Pinga do FC Porto em 1936, ele que era provavelmente o melhor jogador português da altura, fazendo parte de um triunvirato, com Valdemar Mota e Acácio Mesquita, denominado os “três diabos do meio-dia”. Esta designação ficou célebre quando o FC Porto, em 1933, defrontou duas das melhores equipas europeias ao meio-dia, a Selecção de Budapeste e o First Viena. Os dragões venceram ambos os jogos e sobressaíram este três jogadores. Em 1938 o melhor marcador foi Peyroteo do Sporting com 34 golos, um recorde nesta década, ele que nos dez anos seguintes iria ter papel preponderante no quinteto mais conhecido do futebol nacional. Para finalizar a lista temos Costuras do FC Porto, que em 1939 chegou aos 18 golos.
Pedro Santos Pereira
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